Month: Maio 2015

Visita ao Fajão, desde a Lousã

No Sábado o dia começou bem cedo, saltei da cama por volta das 5:20, equipei, pequeno-almoço tomado e segui de carro para a Lousã. Tinha na ideia fazer um track gps criado por mim, no conforto do meu computador e seguir até ao Fajão, voltando de novo à Lousã! Na “ficha técnica” do track tinha cerca de 120Klm’s pela frente com um acumulado a rondar os 4300m+, precisava de começar cedinho!

Às 7:30 estava a sair da Lousã já de bike, em direção a Góis pela Nacional, os primeiros 20Klm’s foram todos feitos em alcatrão, depois de Góis e após um longa subida comecei a entrar na serra e aí sim estava a abandonar o alcatrão para praticamente todo o dia.

O percurso até ao Fajão mostrava-se difícil, com muita subida, eram constantes, as descidas nem davam para descansar, passavam como o vento, mal dava por mim já estava de novo a subir, mentalizei-me que seria algo para o dia inteiro, o objectivo era chegar de dia à Lousã 🙂

Até ao Fajão foi uma constante de saltos entre montes e montes, quando chegava a um topo olhando em redor assustava-me, não tinha por onde fugir, mas o objectivo foi sendo cumprido nas calmas, sempre nas calmas.

Ao fim de +/- 60 Klm’s cheguei ao tão aguardado Fajão, aldeia de Xisto “perdida” a Noroeste de Pampilhosa da Serra, foi tempo para um café, Sumol e reabastecer de água, tinha nesta altura sinais claros de cansaço e só me alentava a falsa esperança que o regresso fosse bastante mais acessível.

Logo à saida desta bela aldeia fui presenteado com uma “parede de escalada”, era o aviso que ignorei para o que me esperava nessa tarde, a falsa descida logo após em alcatrão enganava-me traiçoeiramente, foram 4 Klm’s que seriam um balão de oxigênio, para o que vinha para a frente.

O resto da tarde foi passado a cruzar montes e mais montes pelo meio daquelas serras, apanhei de tudo, por uma vez o track enviou-me por um caminho antigo, bastante fechado, foi um suplicio passar aqueles 600 metros de silvas e mato, mas passei, e vieram mais, mas agora numa subida a pique que me levou ao desespero, não estava fácil, o plano de chegar à Lousã às 19 horas estava a ir por água a baixo, já só queria chegar com alguma luz de dia.

Vários montes cruzados, caibras, beber água choca, era o que se arranjava, os sais ajudavam um pouco ao sabor….

Algumas horas depois, talvez pelas 16 horas avistei lá bem ao longe o que me pareceu ser o Trevim, a esperança aparecia de novo, o problema era atravessar a imensidão de serra ainda pelo meio, mas fui indo e indo e indo, até que cheguei aos Penedos de Góis, e já só me faltava chegar a S.António das Neves, porque ali seria como estar em casa, o resto era descer para a Lousã….

Subi a S.António das Neves pelo lado dos Penedos de Góis, a subida tem cerca de 27% de inclinação e é extensa como tudo, mas sabia que era a última e já não havia nada nem ninguém que me metesse abaixo nesta fase, nunca me soube tão bem pisar o alcatrão do aeródromo, apesar de estar a uns 16Klm’s da Lousã, dali era sempre, sempre a descer, bom, tinha um topo no meio, que equivalia a um amendoim comparado com o que apanhei o dia inteiro….

A chegada à Lousã foi pelas 19:00, hora que previa chegar….foi uma jornada em grande, grande mesmo!

Pequeno Vídeo:

Fotos:

Strava:

Desafio BTtralhos 2015, sobrevivi!

11178251_874367895968021_5396123536627169753_n-001Realizou-se ontem em Vermoil mais uma edição do Desafio BTtralhos, a sétima. A participação é gratuita sendo o percurso guiado por GPS, as regras são simples, distância sempre superior a 100Klm’s e um acumulado “apelativo”, este ano tinha cerca de 2500m+, a mim pareceram 7000 😉

Em termos de participação julgo que estariam na ordem dos 100 “malucos” que não se intimidaram com os dados do percurso, para mais na Sicó, pedra sobre pedra (já lá vamos).

Arranquei com mais 3 colegas por volta das 8:15, o percurso no início levava-nos por caminhos florestais aqui da zona em direção à aldeia do Vale em Pombal, já na Sicó, até aqui tudo muito bem, apesar da pedra molhada e traiçoeira lá fomos rolante a um ritmo certo, não muito elevado mas certo. Na aldeia do Vale iriamos rumar em direção às Ereiras, cortando literalmente a meio a serra, as subidas eram algumas mas nada de grave, ainda frescos íamos animados com o percurso, após as Ereiras o percurso aliviou um bocado, menos pedra, mais estradões, a direção agora era para o moinho da Melriça e depois os do Outeiro, tudo muito calmo, sem stress, estava a pensar que este seria o desafio mais fácil até à data, para mais até ao Rabaçal onde chegamos por volta do meio-dia, nada de grave, tudo muito rolante mesmo.

Paramos no Rabaçal para almoçar, nós e muitos participantes, o almoço foi mesmo uma chanfana, como manda a regra, aqui o percurso dividia-se em dois, uma parte mais fácil direção a Vermoil e a parte do Desafio na integra, decidimos que iriamos continuar pelo desafio até dar, sinceramente não nos tinha custado nada chegar ao Rabaçal, tínhamos cerca de 47KLm’s aqui, faltavam 60…

O trajeto saia do Rabaçal pelos caminhos de S.Tiago, direção de Condeixa, tudo muito plano, mas gozo durou muito pouco, poucos Klm’s a rolar e surgiu a primeira dor de cabeça, uma subida enorme, verdadeira parede que para mim serviu como boas vindas ao Desafio, era o cartão de visita para o que vinha daí para a frente. No topo desta subida a minha “avózinha” começou a passar-se, sabia que tinha a corrente desgasta mas era péssima altura para me dar problemas. No topo do monte via-se a Srª do Círculo, um pouco mais ao alto, o caminho era para lá, descida aqui e ali mais singles e pedra a moer e estávamos na localidade do Furadouro. A partir do daqui apareceu outra parede que nos iria guiar até à Srª do Círculo, houve muito poucos que a fizeram na bike, parecia uma peregrinação a pé, a perder de vista, a minha bike cada vez mais salta-va na pequenina, não conseguia subir em mais nenhuma senão naquela mudança, eu e todos, estava a ficar de cabeça perdida, o corpo começou a ceder, estava tudo a começar a ser um verdadeiro desafio para mim…

O próximo “museu” a visitar eram as Buracas do Casmilo, até lá tudo bem, ia desgasto, mas ia, no Casmilo nova parede, não conhecia, os mesmos problemas na bike, tudo a pé, sinceramente também já não tinga força para mais, aqui estava tudo a ser um massacre, para mim e para a grande maioria, a peregrinação continuava, muito dura esta fase. Mas desenganem-se se pensam que o tormento acabou por aqui, faltava a capela de S.António, nas Degracias, lá bem no alto, conheço várias subidas para lá, subi por uma que não conhecia, ou parte dela, a fase inicial, quero ver se esqueço rapidamente, aqui tive mesmo um ataque de raiva, felizmente não tinha nenhuma marreta senão partia a bike toda, parou tudo literalmente a olhar para mim, uns riam-se outros choravam, dava para tudo….

Deu-se o milagre e lá cheguei à capela, tinha 70Klm’s feitos, faltavam 40 e eu a imaginar o que ainda iria lamber nesses klm’s. Nas Degracias fizemos pausa para uma Cola, felizmente que o percurso a partir daqui até à Redinha tinha espaço para rolar, o andamento aumentou, a Cola fez bem a todos, mas o percurso ajudou bastante. Estávamos agora na Sra da Estrela, na Redinha. Daqui fomos fazer mais uns singles a descer onde fomos apanhar dois companheiros que estavam também no evento. Quando nos viram e se aperceberam que eramos da zona, quase que imploraram: “Indiquem uma estrada de alcatrão para Vermoil, não conseguimos mais” 🙂 eheheh, lá os conseguimos convencer a vir connosco, mais um pouco, as grandes dificuldades estavam já bem para trás, desistir ali era como morrer na praia.

Esta fase foi repleta de singles, em plano, a descer, a subir, era como se queria, já não eram eles que queriam alcatrão para Vermoil, era eu! Estava a morrer, literalmente, foi então que após a chegada a Pousadas Vedras decidimos vir por alcatrão até Vermoil, evitávamos assim, alguns topos chatos, o sentimento nesta fase de todos era de missão cumprida, chegava!

A chegada a Vermoil foi por volta das 19:20 julgo, foram quase 12 horas de bike, um dia inteiro. Já em casa a jantar e de janela aberta vi pessoal a chegar por volta das 21:00! 🙂 Este ano o percurso dividia-se literalmente em duas partes, até ao Rabaçal e o após, duas coisas completamente distintas, duas realidades diferentes, mesmo.

Não posso acabar sem deixar uma palavra de amizade aos meus 3 companheiros, tenho a certeza que depois dos problemas que tive, ficando para trás, teria desistido, ou até morrido! 🙂

Fotos:

Strava:

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