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Pelos caminhos do Rabaçal

Aproveitando o meu período de férias decidi ontem juntamente com o Márcio uma visita à aldeia do Rabaçal (http://www.rabacal.net/index.php), esta aldeia encontra-se num vale com a mesma denominação. Esta aldeia é bastante popular na zona Sicó, derivado não só da sua grande actividade agro-pastorícia e alimentar (os queijos bem como o azeite são de elevada qualidade e reconhecidos), bem como altamente importante em termos históricos, esta situa-se relativamente perto de Condeixa com as suas ruínas romanas, encontrando-se nesta vários monumentos da era romana e sua presença em Portugal.

A caminho do Rabaçal percorremos boa parte da serra de Sicó, na encosta mais este, pelo caminho ficou Pousadas Vedras, o Canhão do Vale do Poio na Redinha, Degracias, 4 Lagoas e Chanca. A zona entre Degracias e 4 Lagoas foi este Verão visitada por um incêndio que deixou aquela zona de serra que é belíssima com um manto negro desolador, é frustrante ver o fogo dissipar parques naturais mas é com bastante satisfação ver agora esta mesmo a recuperar.

Chegados ao Rabaçal com cerca de 40 quilómetros feitos era hora de almoço, aqui não há dúvidas a casa é sempre a mesma, “Restaurante O Cantinho da Clotilde”, fixem este nome! A comida aqui é como se fosse caseira, ou caseira mesmo, não contem com pratos sofisticados, aqui manda a chanfana, o cozido e as caras de bacalhau, as bebidas são de 1,5 litros e rodam por todos no restaurante, é o verdadeiro “BBB”, bom , bonito e barato!

No regresso fizemos a encosta oposta do vale, percorrendo o sopé do Germanelo (castelo), Jerumelo, uma outra séria de montes, acabando nos moinhos do Outeiro, seguimos daqui em direcção a Poço dos Cães fazendo a partir daqui caminho para acasa sempre por alcatrão, ou quase!

Fotos:

Strava:

Desafio BTtralhos 2015, sobrevivi!

11178251_874367895968021_5396123536627169753_n-001Realizou-se ontem em Vermoil mais uma edição do Desafio BTtralhos, a sétima. A participação é gratuita sendo o percurso guiado por GPS, as regras são simples, distância sempre superior a 100Klm’s e um acumulado “apelativo”, este ano tinha cerca de 2500m+, a mim pareceram 7000 😉

Em termos de participação julgo que estariam na ordem dos 100 “malucos” que não se intimidaram com os dados do percurso, para mais na Sicó, pedra sobre pedra (já lá vamos).

Arranquei com mais 3 colegas por volta das 8:15, o percurso no início levava-nos por caminhos florestais aqui da zona em direção à aldeia do Vale em Pombal, já na Sicó, até aqui tudo muito bem, apesar da pedra molhada e traiçoeira lá fomos rolante a um ritmo certo, não muito elevado mas certo. Na aldeia do Vale iriamos rumar em direção às Ereiras, cortando literalmente a meio a serra, as subidas eram algumas mas nada de grave, ainda frescos íamos animados com o percurso, após as Ereiras o percurso aliviou um bocado, menos pedra, mais estradões, a direção agora era para o moinho da Melriça e depois os do Outeiro, tudo muito calmo, sem stress, estava a pensar que este seria o desafio mais fácil até à data, para mais até ao Rabaçal onde chegamos por volta do meio-dia, nada de grave, tudo muito rolante mesmo.

Paramos no Rabaçal para almoçar, nós e muitos participantes, o almoço foi mesmo uma chanfana, como manda a regra, aqui o percurso dividia-se em dois, uma parte mais fácil direção a Vermoil e a parte do Desafio na integra, decidimos que iriamos continuar pelo desafio até dar, sinceramente não nos tinha custado nada chegar ao Rabaçal, tínhamos cerca de 47KLm’s aqui, faltavam 60…

O trajeto saia do Rabaçal pelos caminhos de S.Tiago, direção de Condeixa, tudo muito plano, mas gozo durou muito pouco, poucos Klm’s a rolar e surgiu a primeira dor de cabeça, uma subida enorme, verdadeira parede que para mim serviu como boas vindas ao Desafio, era o cartão de visita para o que vinha daí para a frente. No topo desta subida a minha “avózinha” começou a passar-se, sabia que tinha a corrente desgasta mas era péssima altura para me dar problemas. No topo do monte via-se a Srª do Círculo, um pouco mais ao alto, o caminho era para lá, descida aqui e ali mais singles e pedra a moer e estávamos na localidade do Furadouro. A partir do daqui apareceu outra parede que nos iria guiar até à Srª do Círculo, houve muito poucos que a fizeram na bike, parecia uma peregrinação a pé, a perder de vista, a minha bike cada vez mais salta-va na pequenina, não conseguia subir em mais nenhuma senão naquela mudança, eu e todos, estava a ficar de cabeça perdida, o corpo começou a ceder, estava tudo a começar a ser um verdadeiro desafio para mim…

O próximo “museu” a visitar eram as Buracas do Casmilo, até lá tudo bem, ia desgasto, mas ia, no Casmilo nova parede, não conhecia, os mesmos problemas na bike, tudo a pé, sinceramente também já não tinga força para mais, aqui estava tudo a ser um massacre, para mim e para a grande maioria, a peregrinação continuava, muito dura esta fase. Mas desenganem-se se pensam que o tormento acabou por aqui, faltava a capela de S.António, nas Degracias, lá bem no alto, conheço várias subidas para lá, subi por uma que não conhecia, ou parte dela, a fase inicial, quero ver se esqueço rapidamente, aqui tive mesmo um ataque de raiva, felizmente não tinha nenhuma marreta senão partia a bike toda, parou tudo literalmente a olhar para mim, uns riam-se outros choravam, dava para tudo….

Deu-se o milagre e lá cheguei à capela, tinha 70Klm’s feitos, faltavam 40 e eu a imaginar o que ainda iria lamber nesses klm’s. Nas Degracias fizemos pausa para uma Cola, felizmente que o percurso a partir daqui até à Redinha tinha espaço para rolar, o andamento aumentou, a Cola fez bem a todos, mas o percurso ajudou bastante. Estávamos agora na Sra da Estrela, na Redinha. Daqui fomos fazer mais uns singles a descer onde fomos apanhar dois companheiros que estavam também no evento. Quando nos viram e se aperceberam que eramos da zona, quase que imploraram: “Indiquem uma estrada de alcatrão para Vermoil, não conseguimos mais” 🙂 eheheh, lá os conseguimos convencer a vir connosco, mais um pouco, as grandes dificuldades estavam já bem para trás, desistir ali era como morrer na praia.

Esta fase foi repleta de singles, em plano, a descer, a subir, era como se queria, já não eram eles que queriam alcatrão para Vermoil, era eu! Estava a morrer, literalmente, foi então que após a chegada a Pousadas Vedras decidimos vir por alcatrão até Vermoil, evitávamos assim, alguns topos chatos, o sentimento nesta fase de todos era de missão cumprida, chegava!

A chegada a Vermoil foi por volta das 19:20 julgo, foram quase 12 horas de bike, um dia inteiro. Já em casa a jantar e de janela aberta vi pessoal a chegar por volta das 21:00! 🙂 Este ano o percurso dividia-se literalmente em duas partes, até ao Rabaçal e o após, duas coisas completamente distintas, duas realidades diferentes, mesmo.

Não posso acabar sem deixar uma palavra de amizade aos meus 3 companheiros, tenho a certeza que depois dos problemas que tive, ficando para trás, teria desistido, ou até morrido! 🙂

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